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F1: antevisão do Grande Prémio da Arábia Saudita

Clima tenso

Inicialmente tínhamos prevista esta antevisão para a noite de sexta-feira mas o foco de toda a gente (incluindo o nosso) estava noutro lado: iria haver ou não corrida?

A resposta foi sim e hoje o programa decorreu dentro do previsto em Jeddah. Mais bandeira vermelha, menos bandeira vermelha.

O que esperar para a corrida?

A qualificação de hoje já nos foi dando algumas respostas, mas não foram muito surpreendentes. Quer dizer, certamente ninguém esperava que Hamilton ficasse pela Q1 mas contávamos com dificuldades nos Mercedes.

Fim-de-semana complicado para a Mercedes

Jeddah é um circuito de curvas muito rápidas e, sobretudo, sequências de curvas com mudanças de direcção sucessivas. Como dissemos durante a semana, a Mercedes (e, em maior ou menor grau, os seus clientes também) parece estar a rodar com o carro muito alto, devido ao bamboleamento excessivo. Ora, estes carros geram a maior fatia da carga aerodinâmica pelo fundo. Com o carro mais alto, é preciso mais asa para compensar. O circuito saudita é uma pista de baixa carga aerodinâmica mas, se necessitam de compensar as perdas do fundo com mais asa, será bastante penalizador.

Os dados da pista da Pirelli

Por outro lado, a altura adicional cria outro problema. Este “pequeno” compromisso coloca o centro de gravidade mais alto. Num circuito com tantas mudanças de direcção a alta velocidade, não são boas notícias. Já andaram com uma pilha de pratos na mão? Então sabem que é mais fácil equilibrar a pilha mais baixa. Se começarem a andar depressa, a pilha grande quer-vos fugir dos braços com mais facilidade. Por isso, vocês andam mais devagar. É esta a sina da Mercedes este fim-de-semana: equilibrarem os pratos que precisam sem partir a loiça.

Já que falamos da Mercedes, vamos dar uma vista de olhos aos dados que nos disponibilizam. Vejam a imagem seguinte:

Velocidade em curva no Circuito de Jeddah. Imagem Mercedes-AMG

Logo no primeiro sector, a partir da curva 4 e até à 12 temos uma sequência de curvas esquerda-direita entre os 239 km/h e os 270km/h esperados à saída da 12. Voltamos a ter uma sequência idêntica da 14 à 19, onde os carros saiem a cerca de 280km/h. Depois temos o quê? Mais uma sequência esquerda-direita-esquerda-direita bem acima de 200km/h. Força aí nesses pratos! O Mick e o Latifi já mostraram que não é fácil não partir loiça.

Lá na frente tudo equilibrado

Problemas dos Mercedes aparte, lá na frente está tudo muito equilibrado. Sergio Pérez bateu finalmente os Ferrari que dominaram todo o fim-de-semana e bateu-os quando mais importava. Os dois Ferrari e os dois Red Bull cabem em pouco mais de dois décimos de segundo, bem longe de toda a concorrência. Ocon, quinto classificado, já ficou a mais de meio segundo do pior Red Bull. Será interessante ver como a Red Bull irá fazer a gestão dos seus dois carros, uma vez que o chefe de fila, Max Verstappen, foi apenas quarto e tem os dois Ferrari entre si e Pérez.

Checo parte da pole. Uma previsão que apenas se ouviu no podcast Bandeira Amarela

Safety-car podem ser decisivos

Este Domingo é um bom dia para Bernd Maylander dar alguns passeios no seu novo AMG-GT Black Series. Parece-nos uma aposta bastante segura para Jeddah e não é difícil perceber porquê: em 2021 a corrida teve duas bandeiras vermelhas, uma entrada do safety-car e quatro virtual safety-car. A qualificação de hoje teve duas bandeiras vermelhas e a Fórmula 2 teve bandeira vermelha na corrida e na qualificação. É bastante legítimo esperar um safety-car ou bandeira vermelha durante a corrida.

Certamente esta informação irá passar nas estratégias das equipas. Alguém irá arriscar e partir com menos combustível que o recomendado?

Evolução dos tempos

Uma das grandes dúvidas para 2022 era a evolução dos tempos que os novos carros seriam capazes de fazer. Chegou-se a falar que seriam cerca de 3 segundos por volta mais lentos face a 2021 mas a diferença parece ser bem mais curta.

Em Sakhir, a pole-position em 2021 foi 1:28.997. Este ano foi apenas 1:30.558. Leclerc com o tempo da semana passada saíria da nona posição em 2021. Agora, em Jeddah, Perez fez 1:28.200, contra o 1:27.511 de Hamilton em Dezembro de 2021. O tempo de Pérez daria para sair de oitavo na corrida do ano passado.

Dito de outra forma, em Sakhir os novos carros foram 0,288 segundos por quilómetro mais lentos do que os carros de 2021. Em Jeddah, a diferença cai ligeiramente e os novos carros são apenas mais lentos 0,212 s/km. Face à ausência de grandes novidades aerodinâmicas, a diferença explica-se essencialmente pelas características das pistas. Jeddah é uma pista com menos carga aerodinâmica e, sobretudo, com menos travagens fortes do que Sakhir. O peso extra tem uma influência grande na questão das travagens. Não esquecer que, para 2022, os carros engordaram 46kg, um acréscimo de cerca de 6%. Arriscamos dizer que, mesmo com as mudanças aerodinâmicas deste ano, os novos monolugares seriam quase tão rápidos como os da anterior geração.

Venha então essa corrida, que ninguém se magoe, que não chovam mísseis e que acabe depressa para irmos mas é à Austrália.

No Bahrein os carros já rodavam relativamente próximos dos melhores tempos de 2021

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